Desenvolvedor – pega teu contexto

Em uma outra postagem, falei brevemente do perfil dos estudantes de jogos digitais na universidade. Esse post, requer um pouco de abstração, então acompanha comigo.

Rio de Janeiro.

Zona Norte / Oeste / Sul Fuminense.

Pessoas que trabalham de segunda a sábado, pra garantir o sustento mínimo pro seu lar. Paga água, luz, internet, tv a cabo (quando da). Aí tem um filho. Dois. Três. Não importa o número, a preocupação vai ser sempre a mesma. “Preciso pensar no futuro do meu filho”.

Trabalha, trabalha. Educa, o filho cresce.

Nosso lazer, o lazer desses caras e minas que nascem nessas regiões do rio (salvo exceções) são aquelas relíquias que a gente acompanha principalmente em páginas como Suburbano da Depressão. Soltar pipa com os muleke, juntar na casa dos menó que tem melhor condiçãozinha pra jogar um video game, fazer um churras na laje, piscina de 3.000litros é sucesso no verão. Internet mil grau, baixa filme. Segunda é promoção no Cinemark, vambora de bonde pagar meia da meia que na verdade é a inteira.

Exceções são os leite com pera que fica na internet o dia todo. Meus irmãos são assim.

Enfim, no meio disso tudo, o filho cresce. Tu, um cara/mulher que não é muito estudado, orienta teu filho a estudar e se dedicar pra conseguir uma coisinha melhor do que você conseguiu (maioria dos casos). Ele termina o ensino médio (às vezes técnico), e decide que vai fazer uma faculdade de jogos digitais.

FACULDADE

DE

JOGOS.

PEGA TEU CONTEXTO.

Pegou? Então… esse é o meu contexto. Tô te mostrando. Nascida e criada na Bento Cardoso, de um lar onde minha mãe trabalha de segunda a sábado numa empresa de assistência técnica de eletrodomésticos, e eu formada em magistério no ensino médio. Já tava trabalhando. Tudo encaminhado “minha filha é professora”. Decido fazer faculdade de JOGOS.

Minha mãe é “pra frente”. E se eu digo pra ela que é uma área que vai me dar retorno, ela me apoia. Me apoia e manda eu ir de cabeça, me dedicar. Iai eu chego na faculdade.

Me deparo com um monte de caras (sim, porque a maioria é homem), que no final das contas compartilham o mesmo sonho que eu: fazer jogos. E ao longo desse processo, surgem startups a torto e a direito. Fazer jogos. Boa parte deles tem talento, e aprimoram se dedicando. Fazer jogos de sucesso. Vamo em feira, eventos, camisa nova da empresa, olha como eu sou popular veja minha entrevista. Fazer jogos.

Parceiro, pega teu contexto!! Eu, que vim da bento cardoso, que depois de passar uns meses na faculdade, vê essa galera sonhadora que só pensa em fazer um jogo de sucesso por causa de pequenas exceções se fechando pro resto do seu contexto social, não consigo de maneira alguma pensar em produzir/desenvolver alguma coisa que não vai mudar em nada meu contexto social, que não vá impactar ou transformar de maneira positiva um centímetro da sociedade.

Tenho tido a oportunidade de frequentar espaços onde pessoas que pensam dessa mesma maneira “fazer para transformar” mostram o resultado das suas experiências. E, cara, quanta coisa incrível! Jogos para educação financeira em escola pública. ESCOLA. PÚBLICA. JOGOS. Jogos que incentivam as crianças a estudar determinados assuntos pra passar de fase ou subir seu xp na olimpíada de jogos. OLIMPÍADA. JOGOS. ESCOLA PÚBLICA. NO RECIFE. Experiências com realidade virtual que proporcionam ao usuário vivenciar um dia em um presídio lotado na pele de um cara que foi preso por engano. VR. PRESÍDIO. DEBATE. Experiências que transformaram o modo de aplicar vacina em crianças nos hospitais públicos. JOGOS. HOSPITAL PÚBLICO.

Pegou a visão? Pegou o contexto? É isso que eu quero. É isso que eu to batalhando pra fazer. Produzir jogos que transformam a sociedade de alguma forma, porque o meu contexto cara, meu contexto social… eu quero transformar ele de alguma forma. O desdém das pessoas quando eu falo que faço jogos, depois de falar de onde eu sou é bem triste. Pra exemplificar:

Fui no ortopedista um dia desses, enquanto esperava o resultado do exame o médico me perguntou o que eu cursava e eu disse jogos. Eis a resposta “isso é profissão é? Não tem mais o que inventar.”

Tu mora na Penha. É um fudido. Vai fazer jogos.

Esse é o meu contexto. E é por isso que eu não participo de projetos que visam única e exclusivamente entretenimento. Entretenimento vão não me interessa.

Os disruptivos sim. Me chamem pra esses. Tenho alguns saindo do papel, mas  essa é minha visão, esse é meu contexto. Mundo cão. Sociedade capitalista. Periferia. Trabalho. Segunda – Sábado. Caos na saúde pública. Educação desequilibrada em comparação com indivíduos que nasceram em outro patamar econômico. Merda de transporte público

E eu faço faculdade de JOGOS.

Qual é o seu contexto? O que você faz pra mudar isso?

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Ela o que?

Eu preciso dizer, que há um tempo ficou na minha cabeça uma pergunta que me fizeram ao participar de um festival desses de tecnologia.. eis o contexto:

Estava eu, toda humilde, depois de apresentar um dos jogos que desenvolvi com a minha turma no terceiro período da faculdade de jogos, em um festival para desenvolvedores indie quando um rapaz da organização chama eu e meus amigos para gravar uma coisinha pra posteridade do festival. Topei,  mas com aquele cagaço de quem não sabe falar em frente a camera. Meus amigos foram na frente, e as perguntas giraram em torno de “o que você acha do mercado? Como você se vê daqui há 5 anos? O que te trouxe para tecnologia?”

Vendo as perguntas antes, pensei “vai ser fácil, vou conseguir”. Iai chega minha vez e o rapaz manda “Anny, como é ser uma garota no curso de Jogos Digitais?”

Claro que eu travei. Pra mim, naquele momento, aquela pergunta não fazia o menor sentido. A primeira coisa que pense foi “pow, é normal”. Gaguejei alguma coisa que não lembro e seguimos com as nossas vidas. Continuar lendo

Pense, Planeje, Execute – Semana 7 de 2017

A maioria dos universitários procuram um método que ajude-os a manter mais centrado nos estudos, que funcione e que organize sua bagunça que é o acúmulo de disciplinas, trabalhos, eventos e etc.

Alguns já se aventuraram  nas agendas, nas notificações do computador, agendas online tipo a do google que avisa no email, celular e etc. Mas não é todo dia que a gente levanta da cama e pensa “aaah, preciso ligar o pc pra saber quais minhas obrigações hoje”. Isso quando levanta da cama, porque boa parte do tempo está chegando atrasado nas aulas porque não lembrava que hoje era dia de chegar 7h30 porque o professor combinou reposição de aula.

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Semana 5 – 2017

Antes de tudo, precisamos pontuar que há uma grande diferença entre um estudante que vem de uma família com certa estabilidade financeira do aluno que vem de uma família “humilde” onde depositam grandes expectativas nele já que por muitas vezes é o primeiro da família a cursar o ensino superior.

Dito isso, e afirmando que ambos convivem numa mesma instituição, é fato que irão ver determinadas situações de maneiras diferentes.

Estando isso esclarecido, seguirei daqui.

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Botão Simples – HTML e CSS

Criando um botão em HTML e estilizando em CSS. Para explicar esses tópicos criei uma página simples em HTMLe uma em CSS no qual usarei externamente. É importante ressaltar, que o botão que estamos criando usará url. Ou seja, ao invés de ser um botão comum a formulários, ele servirá como “menu”. Pode ser que, se necessário eu faça outra postagem pra explicar as outras funcionalidades da tag <button>

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